E se for azul?

 Imagine uma pessoa que ocupa um cargo importante em uma "empresa x". Esse indivíduo, por motivos particulares, decide pintar o seu cabelo de azul. No dia seguinte, tem uma reunião com seu chefe e investidores. −Pausa. A pessoa tem direito de escolher qual cor de cabelo quer para si. E isso não interfere na sua qualidade profissional ou até mesmo em seu caráter. Afinal, é só uma cor. Voltando...− Na reunião, ela desempenha o papel de apresentar uma importante pauta, com o objetivo de fazer os empresários comprarem sua ideia. Só que surgiu um imprevisto.


 Ao longo do processo, ela não conseguia concentrar-se devido aos olhares avessos e risos frouxos. Os homens, ditos sérios, não a levavam a sério. Então, rapidamente, pensou: (1) o trabalho estava completo e sem nenhum erro, até então; (2) não usava qualquer roupa, estava vestida "de acordo", para tal apresentação; (3) seu cabelo estava penteado, preso, com uma mecha meio caída sobre o olho; (4) Cabelo. A única mudança recente, era o azul. Talvez, para aquelas pessoas ignorantes, o azul não fosse só uma cor. Concluiu. Discutiu. Explodiu. E infelizmente, foi demitida. Malditos rótulos. Maldito preconceito. Maldito desrespeito. Maldita massa social julgadora. Maldita tinta azul? 


 Até onde vai a liberdade de expressão, quando se tem um certo poder de determinação sobre o que deve ser feito e usado, o tempo inteiro?

 Talvez, sejamos nós, os responsáveis pelos padrões que tanto nos aprisionam. 
A minha liberdade não pode começar quando a sua termina. E vice-versa. Você apoia a liberdade para vestir-se como quiser, "fazer a sua moda". E diz ser contra a rotulação social, assim como, diz ser contra a "ditadura da beleza", imposta diariamente na sociedade. Mas se o seu amigo, sua colega, ou um conhecido, pintar o cabelo... E se for azul?