Será que é preciso ter menos para ser mais?


Firmemente, acredito que a resposta para essa pergunta que lhes faço é: sim. E com isso não estou dizendo que aqueles ricos, mili, bili ou trilionários (existe isso?) não são felizes...  Generalizando, alguém com condições financeiras tem mais momentos divertidos, conhece mais coisas, vive mais, do que aqueles que não têm grana. O dinheiro não compra felicidade ou escolaridade, mas ele proporciona graus elevados desses, para quem o possui. Entretanto, quando menciono "ter menos para ser mais", o foco está muito mais atento a um viés de ter menos supérfluos para adquirir mais valores. Tem tanta gente com tanta coisa que é tão só, tão insegura e tão vazia; assim como, tem tanta gente que não tem quase nada (ou nada) e tem um lindo sorriso de orelha a orelha. Então, me explica isso? 


Bom, na vida, ter mais não significa ser mais. Quem tem mais, tem mais opções; mas isso não quer dizer que será mais, em termos de crescimento individual e coletivo. A ideia de coletividade, por exemplo, é muito mais nítida dentro de um ambiente em que existem muitas pessoas, poucas coisas e uma necessidade de compartilhar e dividir para sobreviver e manter vivo aquele que está ao seu lado. O coletivo está presente por determinismo social do meio. Assim como o individual. 


Porém, o individualismo já é muito mais presente, em um ambiente, por exemplo, com cinco pessoas, e muitos cômodos: um filho na sala assistindo a um programa de televisão; outro filho, no quarto, fazendo coisas que só ele sabe; mais um filho, só que esse em outro quarto, mexendo no celular; o pai, lendo as notícias do dia, no tablet, dentro do seu escritório; a mãe, conversando com avó pela webcam, na varanda. E cada um, isolado dentro do seu mundo, socializando da sua forma. Isso acontece porque quanto mais opções você tem, mais distante você fica de quem está realmente próximo. Entende-se, que aquela pessoa que dorme no quarto, do lado do seu, estará sempre ali e acaba-se dando atenção a outra coisa que não está presente naquele momento. Pois estamos sempre buscando o que não temos e dando pouco valor ao que já temos. E diante da tal efemeridade da vida, aquela pessoa que está ao seu lado hoje, pode não estar amanhã, e mesmo contigo perto dela, a vida passou e você não percebeu, pois estava ocupado tendo mais e não sendo mais. 


Agora, fazendo uma rápida retrospectiva... Esse ano, escrevi muito sobre as coisas serem passageiras e instáveis, sobre se jogar, aproveitar o tempo, deixar suas emoções aflorarem, quebrar um ovo, viver o presente amando e respeitando sempre o outro e a si mesmo. E amanhã, simbolicamente, é um novo dia de um novo tempo, que começou. Então, aproveite dessa simbologia e faça com que, hoje, seja melhor que ontem. E que o amanhã... Seja melhor ainda. Mas faça isso o ano todo, afinal, sempre é tempo de recomeçar, sempre é tempo de crescer. E ser crer-sendo sendo. 
Feliz 2016!