Visão Periférica

Tudo foi premeditado. E então, passou tão rápido quanto um feixe de luz, tão intenso quanto o mais tenso ambiente, tão profundo quanto o mais fundo oceano, tão novo como tudo que estava à sua volta... E tornou-se real. Guiados pela batida envolvente de um som provocante e uma vontade pulsante de ter mais para ser mais. Doar-se para receber a mais sincera correspondência de um sorriso singelo, com os olhos semi abertos, o sol no rosto e o cabelo na cara. Na cara da verdade, na cara da situação premeditada, na cara do momento, na cara de uma cara responsável por lembranças posteriores e eternas de uma tarde sem introdução. 


 Os anjos clamam por atenção e gritam de desejo. 
A boca urge o que o coração fala. O corpo não mede o que a mente pede. 
O ontem e o amanhã são ignorados por um presente quente e curioso. A curiosidade que não matou o gato, mas deslizou, junto ao suor do corpo, por partes desconhecidas de uma batida sem batida, de um som natural, de um momento antes surreal, mas, agora realizado. Transparecendo toda efemeridade racional de um instante sentimental, por um viés naturalista, simplista, minimalista... Quase um complexo misto de complementares opostos que se contrapõe no espaço claro, sobre o reflexo de um espelho instável.


Quando o singelo encontra o saliente e transforma em energia toda pretensão despretensiosa... Toda inesperada ação, na ânsia mais esperada, em busca do novo para o alcance do eu. Um eu, antes pela metade, mas agora preenchido de sentimentos não descritos, de um futuro incerto, de uma dor inigualável por um amanhã ainda mais novo do que o ontem que se foi, mas ficou. E ficou, e aconteceu, e gerou... Chegou para mudar e cresceu, transcendeu, aquietou e esquentou; para transformar aquele imenso mar, no amar do eu.