há mares de a(marte)

Eu sinto que dessa vez, a água que molha os meus pés, não fazem mais parte das tenebrosas ondas de março. É inverno, mas o mar está calmo como a primavera.
O ambiente está diferente para o novo eu, que se encontra ao lado seu.




De repente, meu coração está tranquilo e meu corpo está boiando nas águas de um oceano desconhecido, mas, de forma surpreendente, quase que profana, minha mente parece estar segura. Meu ar está mais atingível; consigo sentir meu sangue passando pelo corpo e meus olhos sorrindo para o seu mar de infinidades.

Hoje, o dia clareou de forma tranquila, amanheceu, como todos os dias. Mas nessa manhã, a escolha foi de sair para sentir tudo e deixar de viver vazio. Porque meu sorriso está mais feliz, minhas ideias estão mais fluídas e meu "eu" mais completo. Basta eu encostar meu braço no teu abraço para ser tudo aquilo que me faz parte de mim, parte de ti... Que me torna e te torna: um só.


Ainda é cedo, o dia está raiando, e como um profeta, tento prever o que virá, mas você me faz esquecer de se preocupar com o futuro, e me mostra como é viver o agora. A ansiedade está ficando pra trás, junto com parte de meus medos, inseguranças e tudo mais que me impedia de andar.

 Na minha mão, tem a sua. No reflexo dos meus olhos, tem os seus. Na minha vida, agora tem você. Que mal chegou, mas já irradiou tudo aquilo que, noite passada, estava apagado e perdido na escuridão fria e desesperada de um coração sozinho. Deixando em mim, o desejo paradoxal de querer-te assim: das profundezas do mar à superfície de marte. Eu-quero-(a)mar-te.