Acabo esperando demais, por mergulhar tão fundo. Enquanto tento lidar com sua ausência, meu ouvido apita pela profundidade do mar. As coisas, pra mim, estão tomando um rumo mais sério, entretanto você, meio sem critério, parece apenas imergir nas águas que afundo.

  Distrações estão por toda parte, mas não desfaça o rumo da arte por algo que só te desvirtua de um horizonte marcado. Gaivotas beirando o cais podem ser inspiração, mas na maioria dos casos são atrasos de algo maior e melhor que nos espera, como o por do sol depois da costa. Tudo é questão da importância que você dá. Então, só não me diga que "imprevistos acontecem", e que a cautela deveria me acompanhar. Seu pulo é nos céus, mas o meu é no mar. E assim como precisas voar, eu simplesmente preciso mergulhar. —Você não tem culpa. É uma questão de ser honesto comigo mesmo. 


O dia escureceu, era pra ser você e eu. Mas sozinho tento entender tudo que acontece ao meu redor. Implicitamente te cobro demais porque me cobro demais. Algo inesperado aconteceu, a correnteza mudou e despertou em mim vontades negadas e sentimentos desconhecidos. O mar está diferente e, como uma tela, pinto-lhe da melhor forma possível e chego à conclusão de que te enxergo com os olhos do coração. Ora rio, ora'mar, quero mesmo é desaguar, com reflexo ou embaçar, mas me deixe mergulhar no céu oceano. Meu peito já dói demais, vou poupa-lo de mais uma dor e fazer esquecer qualquer tipo de rancor. Pois amor não se cobra, se faz existir e é com os olhos do coração que eu quero seguir. Então foda-se qualquer tipo de frustração. Se é verdade que escolhemos nossa dor, eu escolhi sentir você.


No meio do nada, guiado pela brisa e sentindo o salitre, revelo-lhe que talvez toda minha intensidade transcenda a uma necessidade em ter de volta tudo aquilo que emano. A causa da minha ansiedade é fruto de uma expectativa que carrego no peito, junto a um calor latente do desejo teu. Pois minhas carências são reflexos dos seus atos, e como dizem os boatos: talvez exista mar em marte.